Artista ganha exposição em BH com obras que transitam entre a arquitetura, poesia e o universo da classe operária brasileira
Insta: JUAN CASEMIRO
Artista visual mineiro, Juan Casemiro vive e trabalha entre Conceição das Pedras e São Paulo. Entre pinturas, desenhos, textos e outras criações, a questão política é presença forte no que ele produz. Mais tocante ainda porque dizem respeito ao agora, ao momento atual em que estamos inseridos.
Sem pretensão de chegar a conclusões, as criações do artista se tornam formas de lançar reflexões e de também provocar relações de identificação com outras pessoas. Esse engajamento está presente no que ele faz, mas nem sempre foi assim. A morte do pai em 2010 e os anos seguintes, deu início a seu contato mais íntimo com a arte. Para ele, tudo o que fazia era muito pessoal e Juan ainda não se considerava artista.
Em 2011, quando se mudou para São Paulo para fazer Arquitetura, descobriu uma nova paixão: fotografar a cidade e as pessoas, produção que continuava, para ele, autobiográfica, como se fosse uma espécie de diário.
No final de 2019, essa ótica foi sendo alterada, quando Casemiro se dispôs a fazer outras coisas que não tinham tanto a ver com a própria vida. Nesse período, ele estava tentando olhar um pouco para o país e as mudanças políticas do momento e, sem seus trabalhos eram uma forma de transformar em imagens o que ele sentia a esse respeito. Iniciou assim uma pesquisa política, até que veio a pandemia e o artista foi passar um tempo na casa da mãe, em Minas.
Com muito mais espaço para trabalhar, sua arte começou a ganhar outra proporção. Utilizando concreto, gesso, madeira, lata de tinta e também explorando outros materiais, ele sentia que se tornava de fato um artista, pois o que fazia já não era só uma espécie de retrato dele próprio, mas falava de um momento presente muito pulsante, em que as coisas estavam ali e ele estava bebendo na fonte para criar.
Juan Casemiro acredita que a arte tem essa função de despertar reflexões nas pessoas. O que ele cria tem, além do engajamento com uma questão central de trabalho, mistura questões da arquitetura e do espaço, e tem também um viés mais poético, onde forma e composição, por exemplo, importam. A beleza importa.
Exposição em Belo Horizonte
Chama-se “oito horas não são um dia”, a exposição de Juan Casemiro, que será aberta ao público no dia 20 de agosto de 2022, às 14:00, no Museu Mineiro. “oito horas não são um dia” traz a produção recente de Juan Casemiro, de maneira inédita a Belo Horizonte e nos coloca em contato com o vocabulário, muito palpável, do operariado brasileiro, a rotina do tempo e a finitude do patrimônio edificado.
Fazendo o uso de telas de proteção, pincéis, luvas, lixas, arames, faixas de sinalização, blocos de concreto, azulejos e mais uma série de objetos provenientes de escombros e caçambas, o artista dá forma a esta exposição-ensaio. Nas palavras de Lucas de Vasconcellos, curador da mostra, a proposta de Casemiro “é uma chamada para repensarmos o significado do trabalho em nossas vidas – uma vez que a tendência é passarmos a maior parte do tempo nos dedicando a isso – e exprime o desejo de relacionarmos a obra com a arquitetura dos espaços anexos do Museu Mineiro, que além de muito bonitos, propiciam maior transversalidade à narrativa curatorial do museu”.
Suas obras, de forte teor político, transitam entre a arquitetura, a poesia e a composição e nos aproximam do universo da classe operária brasileira.
FOTOS DO ACERVO DO ARTISTA